“A cognição corpórea e o contexto politico da América Latina” – resumo da apresentação de Tom Lemos no Congresso conjunto ESOCITE/4S – 2014

A cognição corpórea é uma corrente das ciências cognitivas que recusa o modelo da cognição como mera operação de uma sequência ordenada de símbolos discretos, desenvolvido a partir da tecnologia da computação eletrônica, e apresenta como alternativa um processo complexo no qual são elementos centrais a experiência e o corpo individuais, compreendidos como constituintes do ambiente social. Defendo que a cognição corpórea tem desenvolvido sua proposta de modo essencialmente político, para tal buscando realizar o que foi chamado por Francisco Varela de “virada ontológica”, o que também comporta uma crítica aos fundamentos da racionalidade de matriz europeia e norte-americana.

Para contribuir para a compreensão do sentido deste enfoque ao mesmo tempo ontológico e político, examinarei a contribuição de Varela à cognição corpórea, segundo sua narrativa dos fatos que envolveram sua elaboração, para a qual teve influência central o governo de Salvador Allende no Chile (1970-1973).

À luz das questões trazidas por Varela, pretendo discutir o impacto da imagem cognitivista da cognição, suas diversas aplicações de repercussão social, e sua matriz tecnológica, para os problemas atuais de saúde, educação ciência e tecnologia na América Latina, considerando a perspectiva da cognição corpórea.

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Sobre estudosdects

Oficializado junto ao CNPq em 2010, este grupo existe informalmente desde 2004, ano em que o prof. dr. Antonio Augusto Passos Videira começou a ministrar disciplinas no Programa de Pós-Graduação em Filosofia especificamente voltadas para os problemas, temas e autores dos chamados Science Studies. O objetivo, ao ministrar tais disciplinas, era apresentar aos alunos do PPGFil uma nova perspectiva para a análise da ciência que abarcasse outros eixos teóricos que não apenas aqueles tradicionalmente empregados pela Filosofia. Esses outros eixos temáticos incluem a História e a Sociologia das Ciências. No entanto, e diferentemente do que se pode esperar da perspectiva dos Science Studies, o grupo em torno do prof. Antonio Augusto Videira considera relevante analisar a ciência a partir das suas implicações e/ou pressupostos ontológicos e metafísicos. Desse modo, ocorre também uma ampliação no recurso que se faz da Filosofia, uma vez que esta última não se resume à Filosofia da Ciência. Em outras palavras, a ciência é mais do que apenas um tipo específico de conhecimento sobre a natureza.
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