É a ciência a razão em ação ou ação social sem razão?

resenha de Carlos Puig  do artigo:

OLIVA, Alberto. É a ciência a razão em ação ou ação social sem razão? Scientiae Studia, v.7, n.1, p. 105-34, São Paulo, 2009.

Neste artigo de fôlego, Alberto Oliva critica o programa forte da sociologia da ciência, rechaçando a proposta da sociologia cognitiva da ciência, que propõe explicar a ciência, incluindo o conteúdo das teorias científicas, exclusivamente como produto de causas sociais. A sociologia cognitiva da ciência é inspirada por autores como Manheim, Dürkheim, Marx e Malinowski. Conforme mostra o autor, a sociologia cognitiva da ciência busca realizar o “desmascaramento”, conceito de Manheim, de modo implícito. Isso desqualificaria a compreensão que os cientistas têm do que fazem. As ações dos cientistas seriam determinadas por causas e razões que se explicariam totalmente pelas causas sociais, e às quais os agentes dessas ações não têm qualquer esperança de acesso, reduzindo o âmbito epistêmico ao âmbito social. Com isso, ocorre um “claro e total descasamento entre a visão de ciência, fortemente internalista, perfilhada pela maioria dos cientistas naturais, e o modo externalista”, em que se defende que tudo em ciência pode ser explicado através de causas sociais, posição defendida pelo sócio-construtivismo. Embora o autor não inclua, em suas considerações, os programas fracos, em que esse reducionismo não acontece, em que as razões internas também são consideradas, mas em que se valorizam as relações e causas sociais para a compreensão da ciência, sua crítica ao reducionismo sociológico é bastante fundamentada e consistente. Entretanto, parece, de fato, faltar conhecimento por parte do autor de trabalhos como o de nosso grupo. Ele inclui Bruno Latour em passagem breve, dando a entender que faria parte dos defensores do programa forte. Talvez um trabalho que fizesse a comparação entre os programas forte e fraco seria proveitosa no sentido de evitar essa confusão, possibilitando marcação de terreno de nossas posições.

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Sobre estudosdects

Oficializado junto ao CNPq em 2010, este grupo existe informalmente desde 2004, ano em que o prof. dr. Antonio Augusto Passos Videira começou a ministrar disciplinas no Programa de Pós-Graduação em Filosofia especificamente voltadas para os problemas, temas e autores dos chamados Science Studies. O objetivo, ao ministrar tais disciplinas, era apresentar aos alunos do PPGFil uma nova perspectiva para a análise da ciência que abarcasse outros eixos teóricos que não apenas aqueles tradicionalmente empregados pela Filosofia. Esses outros eixos temáticos incluem a História e a Sociologia das Ciências. No entanto, e diferentemente do que se pode esperar da perspectiva dos Science Studies, o grupo em torno do prof. Antonio Augusto Videira considera relevante analisar a ciência a partir das suas implicações e/ou pressupostos ontológicos e metafísicos. Desse modo, ocorre também uma ampliação no recurso que se faz da Filosofia, uma vez que esta última não se resume à Filosofia da Ciência. Em outras palavras, a ciência é mais do que apenas um tipo específico de conhecimento sobre a natureza.
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