Boletim SBHC– Sociedade Brasileira de História da Ciência – Nº1

SBHC

EDITORIAL

O ano de 2013 tem sido um período extremamente dinâmico para a SBHC, várias atividades e muitos planos têm marcado esse período. A diretoria esta empenhada em buscar formas de ampliar o contato com os associados de modo a informar sobre os temas que nos têm desafiado neste processo. É com esse intuito que iniciamos a publicação de um Boletim periódico que ficará também a disposição dos sócios, e público em geral, no site da SBHC. Contamos com sua colaboração para indicar temas, enviar notícias e fazer contato. As matérias veiculadas são de responsabilidade dos seus autores e usaremos também este espaço para divulgar informações, atividades, eventos e produção dos nossos associados.

Cordialmente,

Márcia Regina Barros da Silva

Presidente SBHC / 2012-2014

TEXTOS CRÍTICOS

A História da Ciência e a História

Carlos Ziller Camenietzki

IH/UFRJ

Que ninguém se engane mais: onde há gente, há ciência. E é Ciência mesmo, esse conhecimento verdadeiro sobre as coisas do mundo. Por mais que tenhamos desejado, em tempos pregressos, celebrar os feitos do Ocidente; por mais que tenhamos nos esforçado por hierarquizar a vida intelectual da humanidade; por mais que queiramos ver civilizações mais avançadas e outras mais atrasadas; por mais que tenhamos insistido em um atraso crônico e insuperável do Brasil, sempre houve gente buscando conhecer o mundo natural nesse lado do Atlântico Sul. Não testemunha isso apenas a carta a El Rei do Mestre João ou outros documentos antigos. São as inúmeras descrições da costa, da flora e da fauna; são as inumeráveis referências aos cirurgiões, cartógrafos, carpinteiros, pedreiros, boticários, médicos, astrônomos e tantos outros que vieram viver nas cidades da costa ou que se formaram inteiramente aqui. E mais, são as obras que escreveram, os livros e artigos que teimam em aparecer em qualquer busca bibliográfica. Gente que estudou a Ciência disponível no seu tempo e na sua Geografia.

O problema não está nessas afirmações, em si mesmas bastante fáceis e bastante facilmente verificáveis. A questão é bem outra: é aquele que olha, ou não olha, esse passado e o considera, ou não, relevante. Afinal, quem conta a História do Brasil pode fazê-lo centrado apenas no comércio, como se fôssemos e sempre tivéssemos sido pequenos ou grandes comerciantes. Pode fazer seu trabalho centrado apenas nas relações de trabalho, como se fôssemos apenas produtores de bens materiais. Pode também dedicar suas atenções nas formas particulares da religiosidade das gentes do Brasil, como se fôssemos religiosos. Pode ainda, e o fazem com maior frequência, centrar suas atenções no poder político, nos generais e nos governantes, como se governássemos a vida pública. O grande problema está na crença generalizada de que o estudo feito, e voltado para um desses terrenos, possa resolver matérias outras, interrogações diversas que outros interessados possam fazer sobre o passado. Um estudo focado numa dessas matérias, analisa apenas aquilo que se propôs a analisar. Esperar que um trabalho sobre as práticas sexuais na Bahia do século de Antônio Vieira possa sintetizar as relações entre a Câmara de Salvador e o Vice-Rei na mesma época é um grande absurdo.

Assim, cabe dar um tanto de atenção a nós mesmos, àqueles que escrevem sobre o passado. Não demanda esforço ingente perceber que História da Ciência é História, que aquilo que mobilizamos em nossos trabalhos é da mesma natureza que aquilo que um outro profissional mobiliza nos seus trabalhos sobre o sistema bancário durante o Primeiro Reinado, ou sobre as visitações do Santo Ofício na Bahia do século XVII etc. São documentos antigos, estudados com os instrumentos cabíveis e confrontados a outros e a análises que possam interessar. Isso que fazemos, a História da Ciência, pode ser instigante e bem feita, articulando nossas conclusões com outros problemas; pode ser monótona e repetitiva, recompilando conclusões alheias. Mas, de qualquer forma, ainda será História.

Por outro lado, um estudo específico sobre a Astronomia na Bahia, por exemplo, exige do estudioso um aparato intelectual específico, sem o qual ele não vai levar seu trabalho a bom termo. É preciso conhecer a Astronomia do tempo em estudo, os principais autores, teses e debates. Em geral, isso demanda aprofundados estudos em matéria que não é propriamente histórica. Mas é em tudo assemelhado aos trabalhos de quem vai estudar a política monetária do Segundo Reinado, ou da Primeira República; ou mesmo àqueles que se dedicam à exegese produzida por aqui no tempo do Antônio Vieira. No primeiro caso, é necessário conhecer, no mínimo, a técnica contábil daquele tempo; no segundo, temas da própria Teologia. Ambas tão distantes da História quanto os teoremas da trigonometria esférica.

Em suma, o que fazemos é História. A dificuldade, para muitos de nós, está na necessidade de formação complementar para o exame das questões que analisamos. Isso é feito, em geral, com muito estudo e esforço em ambas as direções: por aquele que já conhece um tanto de História e pelo que já domina um campo da Ciência. O trabalho de pesquisa não é fácil. Os poucos que conseguem complementar sua formação em História com aquela em Ciência – ou com aquilo de História ou de Ciência que lhe será útil – chegam a ser sobreviventes, em alguns casos.

Os resultados do que fazemos serão melhores, mais instigantes, mais interessantes; ou piores, monótonos e repetitivos dependendo de coisas que não são da natureza do que fazemos. Afinal, quem estuda o fluxo de riqueza entre o Rio de Janeiro e Lisboa, por exemplo, também pode fazer um trabalho ruim, mal feito e chato.

Se o que fazemos é História, e isso parece inapelável, cabe uma curta interrogação sobre a natureza da investigação histórica, coisa já perguntada desde o século XIX e reiterada por diversas vezes no século XX: é a História um conhecimento que acessa diversos saberes? É a História por sua própria natureza um conhecimento “interdisciplinar”? A esta altura dos acontecimentos, é bom lembrar a lição dos mais instigantes historiadores do século passado: fazer boa História é bem perguntar sobre o passado e buscar respostas com a ajuda dos geógrafos, dos antropólogos, dos filósofos, dos filólogos, dos sociólogos, dos cientistas etc. Não há solução melhor do que considerar que o bom historiador da Antiguidade deve mobilizar o que de melhor produziram os filólogos, caso contrário sequer pode entender o que Homero disse. Mas isso não significa que seu trabalho se reduza à filologia helênica; o que fazemos não é o que eles fazem; mas nada podemos fazer sem eles.

Concluindo, eu não poderia deixar de anotar que os esforços recentes em disciplinar o trabalho dos historiadores caminham mais na direção oposta à natureza do que fazem aqueles que se dedicam à História, ou à História da Ciência, do que a seu favor. Restringir o campo de formação e a interlocução nos lança animadamente em uma direção perigosa: aquela dos que creem que a História se confunde com o passado, que as disciplinas se confundem com o real. A se crer no que se está querendo fazer, os historiadores podemos minguar a longo termo. Aquilo que fazemos, e não apenas os que estudam História da Ciência, até mesmo os que estudam História Social, Econômica, Religiosa etc. depende do que fazem outros intelectuais, de outra formação e interesse. Sem esses, nossas histórias serão sempre as mesmas; e História contada duas vezes perde a graça. Aos arautos da disciplina, gostaria de repetir o dito de Eugenio Garin: “lasciateci almeno lavorare in pace”! •

Sede do próximo 25th ICHSTM – Rio 2017

Olival Freire Jr.

UFBa

Luiz Carlos Soares

UFF/UFRJ

Agora é para valer! O 25º Congresso Internacional de História da Ciência, Tecnologia e Medicina, em 2017, será realizado no Brasil, no Rio de Janeiro. A decisão foi adotada em votação na assembleia da Divisão de História da Ciência e da Tecnologia (DHST da sigla em inglês) ao final do 24congresso, realizado em julho passado em Manchester. A vitória da candidatura brasileira reflete a inserção internacional, bem como a qualidade e a quantidade, da comunidade brasileira de historiadores da ciência. Nossa delegação no último congresso foi a terceira em termos numéricos, atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos. A vitória refletiu também a maneira unificada e institucionalizada como a nossa candidatura foi apresentada, isto é, como uma decisão da Sociedade Brasileira de História da Ciência com o respaldo de todos os grupos que atuam neste domínio em nosso país. Pela primeira vez o tradicional congresso internacional de história da ciência será realizado no hemisfério sul, o que é motivo de orgulho para todos nós.

Vencida a primeira etapa, a da candidatura bem sucedida, começamos a seguinte e mais difícil etapa. Alguns dados do congresso em Manchester podem ilustrar o nosso desafio. Foram mais de 1700 participantes em um congresso que ficou marcado pela qualidade acadêmica e pela organização impecável. O desafio posto para nós é a organização do próximo congresso no mínimo com o mesmo padrão deste realizado na Inglaterra. Certamente, os colegas que residem e atuam no Rio de Janeiro, bem como as instituições aí sediadas e voltadas à história das ciências, têm uma responsabilidade particular na organização do evento. Contudo, um evento desta magnitude, com a singularidade de ser o primeiro no nosso país, vai requerer o empenho e a organização de todos os colegas brasileiros. Para chegarmos bem em 2017 deveremos começar já, até porque um tal evento demandará esforços logísticos e recursos financeiros sem antecedentes na experiência da comunidade brasileira de história da ciência. Na bem sucedida experiência britânica, pudemos ver como o esforço de organização envolveu tanto a comissão organizadora local, quanto a comissão científica, a DHST, e a Sociedade Britânica de História da Ciência. Conclamamos, portanto, os historiadores da ciência no Brasil a este esforço inaudito em torno tanto da comissão local quanto da SBHC. •

RESENHA

Ludwik Fleck: Os “fatos científicos” como objetos do estudo histórico-sociológico da ciência

Elizabete Satie Henna

COC/FIOCRUZ

A obra de Ludwik Fleck, “Gênese e desenvolvimento de um fato científico: introdução à doutrina do estilo de pensamento e do coletivo de pensamento”, tem grande importância para o estudo histórico-sociológico da ciência. Apesar de ter sido esquecida por anos, vem sendo citada por autores reconhecidos, como Thomas Kuhn e Bruno Latour1,2. Lothar Schäfer e Thomas Schnelle a consideram um “clássico da teoria da ciência”3. Publicada pela primeira vez em alemão, na Basiléia, em 1935, “(re)aparece em 1979” 4, traduzida para o inglês e apresentada por Kuhn.

Adentremos no livro5, apresentando resumidamente seus argumentos, em cada um de seus três capítulos. No capítulo 1, Fleck se debruça sobre o surgimento do conceito da sífilis, utilizando fontes históricas a partir do final século XV. Antes desse período não havia como diferenciá-la de outras doenças que também acometiam os órgãos genitais.

O contexto europeu do final do séc. XV favoreceu o acúmulo de doenças e epidemias. Era preciso dar explicações para esses males. Daí começa a se desenvolver o conceito da sífilis. Existiam várias explicações possíveis, que estabeleciam entre si uma relação de “efeito mútuo”, de colaboração e antagonismo.

A primeira era uma ideia ético-mística, oriunda dos astrólogos e religiosos. Para a astrologia, que era a ciência dominante da época, o surgimento da doença se explicaria por uma conjunção astral entre Saturno e Júpiter, na data de 25 de novembro de 1484, sob influência do signo de Escorpião em Marte. Escorpião era o signo que regia as regiões venéreas do corpo, o que contribuiu para uma primeira especificidade da doença: seu “caráter venéreo”. Para os religiosos, essa doença foi enviada por Deus para que os homens “evitem o pecado da luxúria”. Assim, chegou-se a uma idéia de “epidemia venérea”.

Outra ideia nasce no meio farmacêutico, ou da “empiria médica”, que distinguiu dentre várias “moléstias cutâneas”, um grupo que progredia ou até se curava com pomadas de mercúrio. Dentro desse grupo estaria a sífilis.

E havia também a posição dos médicos que “duvidavam” da existência da sífilis. Para eles, o que se denomina sífilis poderia ser “diversas outras doenças”. Essa posição aparece tanto em textos do século XVI quanto do século XIX. Fleck ressalta o argumento do Dr. Josef Hermann, do final do século XIX, de que o exame de sangue deveria ser “premissa máxima” para reconhecer a existência da doença. O argumento é importante porque evidencia “o grito pelo exame de sangue”, a necessidade desse exame para se chegar ao diagnóstico preciso da doença.

Para Fleck, o conceito de sífilis se define por proposições oriundas de vários outros conceitos. É aqui que entra em cena o “condicionamento cultural e histórico da suposta escolha epistemológica” (FLECK, 2010: 49). Por exemplo, no século XVI não faria sentido, considerando aquele contexto histórico-social, recusar o conceito “místico-ético” da sífilis em prol de um conceito “científico patogênico”.

No capítulo 2, Fleck aprofunda sua análise de como se desenvolve o conceito de doença, o processo de conhecimento, introduzindo a ideia de “coletivo de pensamento”. No processo do conhecimento, existe uma relação entre três elementos: o sujeito, o objeto e o “estado do saber”. O “processo de conhecimento não é o processo individual de uma ‘consciência em si’ teórica; é o resultado de uma atividade social, uma vez que o respectivo estado do saber ultrapassa os limites dados a um indivíduo” (FLECK, 2010: 81).

Por exemplo, para que um sujeito entenda o que é a sífilis, numa definição moderna, e possa identificá-la, deve saber o que é a “sorologia”, o que é um “agente patológico”, uma “bactéria” etc. Os cientistas devem ter sido iniciados para executarem esse experimento. “Prepara-se um intelecto para uma área, acolhe-se o mesmo num mundo fechado, dá-se a ele uma espécie de bênção de iniciação” (FLECK, 2010: 99). Ou seja, o sujeito deve estar em contato com várias formas de pensar que o formam como cientista.

Fleck define então “coletivo de pensamento” como “a comunidade das pessoas que trocam pensamentos ou se encontram numa situação de influência recíproca de pensamentos”. Daí resulta “em cada uma dessas pessoas, um portador do desenvolvimento histórico de uma área de pensamento, de um determinado estado do saber e da cultura, ou seja, de um estilo específico de pensamento” (FLECK, 2010: 82).

O capítulo 3 é dedicado à “reação de Wasserman”, que foi um divisor de águas. O experimento permitiu que a sífilis fosse melhor delimitada, além de dar origem à sorologia. Trata-se de um experimento complicado, que envolve conceitos de “química”, “químico-física”, “patologia” e “fisiologia”. São realizados vários testes, sendo necessárias várias amostras de sangue, para haver a comprovação da sífilis. E apesar de todos os “procedimentos de segurança”, sempre pode surgir algo inesperado. Apesar de ter um “esquema fixo”, a reação ocorre com várias modificações. “Baseia-se em cálculos quantitativos precisos, mas sempre o olhar experimentado, o ‘sentir sorológico’, é mais importante que o cálculo” (FLECK, 2010: 98). Nos congressos promovidos por Wassermann as mesmas amostras de sangue eram analisadas por diferentes sorologistas, muito conceituados, mas os resultados não coincidiam. No entanto, essa reação foi amplamente aceita e intensamente utilizada pelos médicos.

Chegou-se então a um “fato científico”. Nota-se que, longe de ser uma descoberta isolada, o “fato científico” é construído de modo coletivo, sendo influenciado por saberes pré-existentes na cultura do cientista e passível de dúvidas, pois as provas podem tanto validar quanto contestá-lo. O fato só será “fato” se aceito pela comunidade científica.

Fleck afirma que a própria origem do pensamento do homem está “no meio social onde vive, na atmosfera social na qual respira, e ele não tem como pensar de outra maneira a não ser daquela que resulta necessariamente das influências do meio social que se concentram no seu cérebro” (FLECK, 2010: 90).

Então, os “fatos científicos” devem ser objetos de estudo histórico-sociológico, pois vimos que as explicações lógico-formais não dão conta de explicar sua existência. Uma série de fatores, como investimento, apoio, “estado do saber”, “coletivos de pensamento”, aceitação pela comunidade científica etc, geram e definem se um “fato científico” existirá ou não.

REFERÊNCIAS

1. KUNH, Thomas S. (2011) A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo, Editora Perspectiva.

2. LATOUR, Bruno e WOOLGAR, Steven (1997). A Vida de Laboratório: a produção dosfatos científicos. Rio de Janeiro, RelumeDumará.

3. SCHÄFER, L.; SCHNELLE, T. “Introdução: Fundamentação da perspectiva sociológica de Ludwik Fleck na teoria da ciência”. In: FLECK, Ludwik (2010) Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico: introdução à doutrina do estilo de pensamento e do coletivo de pensamento. Belo Horizonte, Fabrefactum Editora.

4. CONDÉ, M. “Prefácio à edição brasileira. Um livro e seus prefácios: de pé de página a novo clássico”. In: FLECK, Ludwik (2010) Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico:introdução à doutrina do estilo de pensamento e do coletivo de pensamento. Belo Horizonte, Fabrefactum Editora.

5. FLECK, Ludwik (2010) Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico: introdução à doutrina do estilo de pensamento e do coletivo de pensamento. Belo Horizonte, Fabrefactum Editora. •

 CHAMADA DE RESENHAS                                                                  

Esperamos contar nos próximos números do boletim com resenhas de livros clássicos ou lançamentos dentro da temática de História das Ciências. Os interessados devem encaminhar e-mail para boletimsbhc@gmail.com.

 NORMAS DE PUBLICAÇÃO                                                                          

1. Os arquivos deverão ser salvos na extensão “doc”, digitados em programa editor de texto no padrão do Microsoft Office Word, edição 97-2003; 2. Fonte – Times New Roman 12, espaçamento 1,5; 3. Margens – superior: 3 cm, inferior: 2 cm, esquerda: 3 cm, direita: 2 cm; 4. A autoria (nome completo) deverá vir após o título, à direita junto com a instituição de origem. 5. Número de laudas: 1 a 3 laudas.

 

NOTÍCIAS

SBHC 30 anos: Plural e Transdisciplinar

Matheus Alves Duarte da Silva

FFLCH/USP

No dia 13 de setembro, foi realizada na Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, a mesa-redonda “Os 30 anos da Sociedade Brasileira de História da Ciência”, com o objetivo de comemorar o aniversário da Sociedade e discutir a sua história. O evento marcou o encerramento da 2ª Jornada de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde, promovido pela COC/Fiocruz. Estiveram presentes Márcia Regina Barros da Silva (USP), atual presidente da SBHC; Maria Amélia Mascarenha Dantes (USP); Flavio dos Santos Edler (COC-Fiocruz); Heloisa Maria Bertol Domingues (MAST) e Luiz Carlos Soares (UFRJ/UFF).

A mesa teve início com a fala de Márcia Regina sobre a história da SBHC. Fundada em 1983, tinha como principais objetivos o desenvolvimento e a institucionalização da História da Ciência no Brasil. Para a presidente, as marcas identitárias da sociedade, a pluralidade e a transdiciplinaridade, estiveram presentes desde o momento da criação, em virtude da formação acadêmica de seus fundadores. Eram todos cientistas, oriundos de áreas como a Medicina, a Física, a Matemática, unidos pelo interesse em comum de discutir a Ciência, especialmente aquela praticada no Brasil, e sua história. Nos últimos anos, em virtude do desenvolvimento da área no país, ocorreram mudanças significativas nesse padrão. As principais foram: uma crescente profissionalização dos Historiadores da Ciência e a consequente especialização dos trabalhos apresentados nos seminários, nos quais os grandes temas abordados nos primeiros encontros deram lugar a pesquisas de recorte mais acentuado.

Outra temática que mobilizou as atenções dos participantes foi o Projeto de Lei 4699/2012 que regulamenta a profissão de historiador.  A maioria dos participantes se posicionou favorável a uma revisão e rediscussão do projeto, de modo a abarcar especificidades existentes no campo da História, especialmente a História da Ciência, em virtude da formação acadêmica plural dos pesquisadores da área. A posição unânime entre os participantes da mesa foi a necessidade da manutenção do diálogo, especialmente entre a SBHC e outras organizações de historiadores, como a ANPUH. Conforme resumiu Flavio Edler, ex-presidente da SBHC e atual presidente da ANPUH-Rio: “É muito ruim criar essa ideia de polaridade. Os historiadores não estão contra os historiadores da ciência. É fundamental dialogar”.

Por fim, os participantes se voltaram para o futuro da SBHC. Foi dado especial enfoque ao 25º ICHSTM, principal congresso Internacional de História da Ciência, que será realizado em 2017 na cidade do Rio de Janeiro e organizado pela SBHC. A escolha do Brasil como sede do evento foi, segundo Luiz Carlos Soares, o reconhecimento da comunidade internacional à qualidade acadêmica da História da Ciência produzida no país nos últimos anos: “O congresso nos qualificou internacionalmente”, concluiu o pesquisador. •

14º Seminário de História da Ciência e Tecnologia

A partir do dia 11 de novembro de 2013 estarão abertas as inscrições para as propostas de Simpósio Temático no 14º Seminário Nacional de História da Ciência e Tecnologia, que será realizado em outubro de 2014. O prazo final para o envio é 18 de janeiro de 2014. Os simpósios selecionados serão divulgados em 14 de março de 2014. •

 Chamada de Artigos – Revista Brasileira de História da Ciência

A Revista Brasileira de História da Ciência terá no ano de 2014 um número especial intitulado “Dossiê sobre Ensino de Ciências”. Nas últimas décadas, vários pesquisadores da área de Ensino de Ciências têm desenvolvido trabalhos com o objetivo de construir tanto materiais didáticos, quanto práticas pedagógicas em que a História das Ciências é o eixo condutor. As investigações desenvolvidas nessa perspectiva, além de obedecerem aos pressupostos teóricos e metodológicos da pesquisa em Ensino de Ciências, apropriam-se do conhecimento produzido pela área da História das Ciências, o que aponta a importância e necessidade do permanente diálogo entre a área de Ensino de Ciências e a de História das Ciências.

Na perspectiva de potencializar esse diálogo, convidamos os pesquisadores a enviarem artigos originais até o dia 30 de novembro, visando a publicação do dossiê em junho de 2014. Os artigos devem apresentar abordagens sobre os usos da História das Ciências no Ensino, podendo ser resultados de pesquisas empíricas ou teóricas. Artigos que versem sobre apenas uma dessas duas áreas não fazem parte do escopo desta proposta.

Os artigos enviados serão avaliados por dois árbitros às cegas e devem estar de acordo com as normas de submissão de artigos da Revista de História da Ciência da SBHC.

Ana Paula Bispo (UEPB)

Andréia Guerra (CEFET-RJ)

Marco Braga (CEFET-RJ)

Thaís Cyrino de Mello Forato (UNIFESP-Campus Diadema) •

 

Contato

Críticas, comentários e sugestões de pauta são muito bem-vindas.

Para isso, entre em contato conosco: boletimsbhc@gmail.com.

Expediente

Boletim Eletrônico da SBHC, Ano 1, Número 1, Novembro de 2013

Matheus Alves Duarte da Silva (Editor)

Link original da postagem: http://www.sbhc.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=679

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Sobre estudosdects

Oficializado junto ao CNPq em 2010, este grupo existe informalmente desde 2004, ano em que o prof. dr. Antonio Augusto Passos Videira começou a ministrar disciplinas no Programa de Pós-Graduação em Filosofia especificamente voltadas para os problemas, temas e autores dos chamados Science Studies. O objetivo, ao ministrar tais disciplinas, era apresentar aos alunos do PPGFil uma nova perspectiva para a análise da ciência que abarcasse outros eixos teóricos que não apenas aqueles tradicionalmente empregados pela Filosofia. Esses outros eixos temáticos incluem a História e a Sociologia das Ciências. No entanto, e diferentemente do que se pode esperar da perspectiva dos Science Studies, o grupo em torno do prof. Antonio Augusto Videira considera relevante analisar a ciência a partir das suas implicações e/ou pressupostos ontológicos e metafísicos. Desse modo, ocorre também uma ampliação no recurso que se faz da Filosofia, uma vez que esta última não se resume à Filosofia da Ciência. Em outras palavras, a ciência é mais do que apenas um tipo específico de conhecimento sobre a natureza.
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